Quando
conhecemos os ensinamentos que nos deram os Irmãos Maiores da RosaCruz por meio
do nosso falecido líder, Max Heindel, explicam-nos claramente as leis do
universo dizendo-nos que a vida no corpo físico não é uma existência
predestinada e que Deus não coloca as almas nesses veículos somente por
capricho. Quando entendemos que Deus formou o homem como um ser espiritual à
sua própria imagem, e que o homem é imortal, desenvolvendo-se sob as leis
justas do renascimento e da consequência, então não nos desanimamos quando
nos deparamos com almas como a da grande mulher chamada Helen Keller, que ganhou
a admiração do mundo inteiro pelos resultados maravilhosos que conseguiu alcançar,
não obstante os seus impedimentos. Ainda que tenha sido cega surda e muda, não
podemos pôr as culpas em Deus pelas suas aflições; mas começamos a
perguntar-nos quais são as leis que foram desrespeitadas em vidas anteriores;
perguntamo-nos porque lhe sobrevieram essas doenças de modo a ter que passar a
vida sem ver a beleza da natureza e sem a capacidade de ouvir os sons que a
rodeavam.
Muitos
cristãos bons e sinceros tropeçaram no caminho, e tornaram-se agnósticos e
ateus nos seus esforços para resolver essas questões confusas.
Faz-se
tantas vezes a pergunta: “Porque permitiu um Deus justo que as coisas sejam
assim?” O orador no púlpito não pode satisfazer os inquiridores com a afirmação
de que essas coisas são mistérios de Deus que o homem não deve tentar
compreender.
Nesta
época de investigação o mestre espiritual já não pode evadir-se a estas
perguntas vitais. O intelecto do homem chegou a um estado que contesta as afirmações;
necessita saber; por isso, chegou a hora em que as igrejas cristãs têm que
responder a essas perguntas ou arriscar a perda dos seus membros.
Muitos
ministros da igreja estão a familiarizar-se com a lei do renascimento e da
consequência e acreditam nelas; muitos também têm o “Conceito” nas suas
bibliotecas. Há alguns anos, durante uma visita nossa a uma cidade do norte,
depois de uma conferência, o ministro de uma das igrejas locais acercou-se de
Max Heindel e disse-lhe que só tinha dois livros na mesa da sua biblioteca: um
era a Bíblia, e o outro, a chave que abriu a sua Bíblia, aquele livro
maravilhoso, o “Conceito Rosacruz do Cosmos”.
Para
um pregador ortodoxo, esta foi a admissão mais extraordinária, mas, pouco a
pouco, este chegará a ser o testemunho de muitos outros pregadores. Estamos a
entrar numa época em que as Igrejas já não aderirão tão rigorosamente ao
Credo. Serão mais tolerantes e cooperarão mais liberalmente umas com as
outras.
O
espírito da idade de Aquário que já se está a tornar forte, trará por fim,
o espírito da fraternidade universal às igrejas. Não adoptarão, todavia, uma
religião universal, porque enquanto os homens estiverem em diferentes graus de
evolução, uns mais atrasados, outros mais adiantados mental e espiritualmente,
enquanto se mantiverem estas diferenças de desenvolvimento na humanidade, haverá
necessidade de diferenças de expressão religiosa e espiritual. Não podemos
esperar que o nativo da Austrália ou o “Busquímane” do sul de África
possam compreender e gostar de uma explicação filosófica dos ensinamentos
cristãos, nem que o místico avançado e desenvolvido goste dos rituais
estranhos e fantásticos dos homens primitivos. Mas a inimizade e as diferenças
que existem hoje, serão eliminadas, e uma amizade mais íntima reinará entre
as pessoas religiosas. A vontade de trabalhar em conjunto e um sentimento
religioso mais tolerante, serão manifestados. Os ensinamentos Rosacruzes,
lenta, mas seguramente, estarão disseminados nas igrejas, dando-lhes um
conhecimento mais profundo e um desejo mais fervoroso de viver a vida cristã.
Então o cristianismo já não será mais uma religião de boca, porque o Cristo
será uma realidade, vivente e vibrante. Ele entrará na vida e no coração da
humanidade, e os homens compreenderão as palavras do Grande Mestre:
“O que tem os meus mandamentos, e os guarda, esse, é o que me ama; e o
que me ama, será amado pelo meu Pai, e eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei
nele.” (João 14:21)
Sua
em serviço da humanidade,
Mrs.
Max Heindel
(cartas
aos estudantes)
The Rosicrucian Fellowship, Agosto de 1937