{Copyright (C) 2009 Centro-RosaCruz Max Heindel . All Rights Reserved}
Membro da Rosicrucian Fellowship desde 1984
Já alguma vez nos detivemos a pensar no seguinte: por que é que tem de haver pessoas ricas e pobres, pessoas
deformadas e outras perfeitas, umas com sorte e outras não, pessoas doentes e outras saudáveis? Já tentámos encontrar uma razão para
as desigualdades que se manifestam por todo o lado? Já nos interrogámos por que há membros da família humana em corpos pretos, ou
castanhos, ou brancos? E alguma vez nos detivemos a pensar porque estamos aqui - qual o significado desta vida passageira? Experimentemos
fazer algumas destas perguntas aos nossos amigos, tomemos nota das respostas e comparemo-las. Seria uma experiência interessante.
Alguns dirão que os pobres são desajeitados e os ricos são habilidosos. Outros dir-nos-ão que os pobres são naturalmente azarados
e os ricos cheios de sorte.
Poderão ainda dizer-nos que não é correcto questionar as condições em que existe
o mundo de Deus: que o Criador, na Sua sabedoria, determinou essas condições, as quais, por isso mesmo, não podem deixar de ser correctas.
Outra explicação, ainda, nos poderia ser dada: que Deus é responsável por tudo o que é bom e que um ser repreensível, normalmente
conhecido por diabo, é o causador de todo o mal. Muitos outros, encarando-nos com olhar fatigado, dir-nos-ão: que não sabem, que os
problemas da vida são demasiado profundos e complicados para que se sintam capazes de resolvê-los, que a ortodoxia Cristã não satisfaz
a racionalidade, que as conclusões ateias os horrorizam e que por tudo isto, se sentem confusos e não sabem para que lado se hão-de
voltar. Se Deus é justo, por que é que só favorece algumas das Suas criaturas e não todas? Se não é justo, então não é Deus! Por outro
lado, se não há Deus, como é que apareceu o mundo e tudo o que o compõe?
Haverá uma resposta para todos estes
problemas que se apresentam às mentes das pessoas mais inquisitivas - uma resposta lógica que resista ao teste da racionalidade?
Certamente que sim. A teoria materialista, postulada pelos ateus, não pode ser satisfatória para a humanidade, pois é filha do desespero.
Quando a mente humana esgotou a ciência, o laboratório e as experiências químicas na procura exaustiva desse «algo» intangível que
anima a forma humana, e falhou na sua descoberta, declarou desesperadamente que esse «algo» ilusório não é mais do que o resultado
de certas correlações da matéria, designadas como mente, e que perece quando o corpo se desintegra. Mas a razão por que certas pessoas
possuem uma melhor qualidade dessas tais «correlações» (a mente!) não é explicada por esta teoria.
A teoria
postulada pela teologia ortodoxa é um pouco melhor. Esta última afirma que todas as coisas viventes foram criadas por Deus, e só vivem
uma única vida terrena; que apenas ao homem foi concedido o Espírito imortal, e que independentemente do ambiente em que nasça ele
é responsável pelas acções praticadas durante a vida; que a sua felicidade ou o seu infortúnio após a morte, por toda a eternidade,
são determinados pelo que fez durante o curto período que medeia entre o nascimento e a morte. Quanto ao resto - animais, plantas,
etc., em suma, tudo o que existe - foi supostamente criado para conveniência e uso do ser humano.
Não
é de admirar que o homem que pense um pouco mais em profundidade, acabe por rejeitar também esta teoria, e por fim, desiludido, decida
satisfazer-se no dia a dia com toda a casta de prazeres que o ajudem a esquecer que mais tarde ou mais cedo tem de enfrentar a morte,
que para ele não é mais do que um mergulho no escuro.
Felizmente existe uma outra teoria, fundada na verdade,
conhecida por renascimento. A doutrina do renascimento postula um lento processo evolutivo, desenvolvido com resoluta persistência
através de encarnações sucessivas em formas ou corpos de eficiência crescente. Mediante este processo, todos os seres desenvolverão
as suas potencialidades em poderes semelhantes aos divinos.
O Deus do nosso sistema solar cria ondas de vida,
e os seres pertencentes a cada onda de vida particular não se cruzarão com os de outras ondas de vida. As ondas de vida que melhor
conhecemos são a mineral, a vegetal, a animal e a humana. Cada onda é composta por um grande número de Espíritos Virginais dotados
com os poderes do seu Criador Divino, e os seres de cada onda alcançarão por fim a divindade. Cada onda de vida desenvolve-se da maneira
mais adequada à sua própria natureza. Os seres pertencentes à onda angélica nunca se tornarão arcanjos. Alcançarão a divindade trabalhando
numa linha de desenvolvimento própria dos anjos, e inteiramente diferente da dos arcanjos. A nossa humanidade nunca se tomará em anjos,
já que o nosso desenvolvimento segue uma linha inteiramente diferente. Os animais nunca se tomarão humanos como nós, embora venham
a passar por um estágio semelhante ao humano.
Nós nunca fomos animais, embora tenhamos passado por um estágio semelhante
ao animal. Do mesmo modo, as plantas passarão por um estágio semelhante ao animal, num período posterior, e os minerais atingirão
o estágio vegetal. Em nenhum dos casos, no entanto, eles serão do mesmo tipo dos nossos animais e plantas. Cada onda de vida tem o
seu próprio e distinto método de desenvolvimento, mas os Espíritos Virginais que as compõem atingirão eventualmente a perfeição, porque
é esse o objectivo último da evolução.
Vejamos agora como a Teor i a do Renascimento responde
aos problemas da vida: Por que são algumas pessoas pobres e outras ricas? Cada vida é um dia na grande escola de Deus. Alguns de nós
estão a aprender uma determinada lição, enquanto outros aprendem outra. Os que são pobres numa determinada vida estão a aprender as
lições referentes ao correcto uso e ao verdadeiro valor das comodidades, bem como as lições acerca da melhor maneira de obter os maiores
benefícios a partir duma pequena quantidade de bens. Estão a aprender como planificar e apreciar exactamente aquilo que possuem.
Os que têm riquezas aprendem o verdadeiro valor que elas representam. Aprendem o valor do poder de compra, possa ele exaltar ou degradar,
seja ele uma bênção ou uma maldição. Aprendem que a riqueza pode comprar a honra dum homem ou a virtude duma mulher, que pode resultar
na queda do dono, mas não poderá nunca comprar aquilo que é o verdadeiro valor do Espírito. Eventualmente, todas as pessoas com dinheiro
devem aprender que são apenas administradores ou fiéis depositários das suas riquezas materiais, e que lhes compete usá-las bem e
sensatamente.
Por que têm algumas pessoas o corpo deformado? Duma forma geral, nenhum Espírito pode habitar
um corpo melhor do que aquele que aprendeu a construir em vidas anteriores, mas há pelo menos uma excepção à regra geral: em se tratando
de deformações e anormalidades, a regra parece ser a seguinte: a indulgência passional numa determinada vida influencia o estado mental
numa existência posterior; e o abuso dos poderes mentais numa vida leva a distorções físicas em existências posteriores. Por outro
lado, uma forma física perfeita demonstra que o dono fez um excelente trabalho na construção do corpo durante as suas vidas anteriores,
por vezes em detrimento do processo mental.
As pessoas sem sorte são aquelas que voluntariamente negligenciaram
oportunidades em vidas anteriores. Agora encontram-se privadas daquilo que, anteriormente, trataram com ligeireza, a fim de que aprendam
a apreciar as oportunidades quando se apresentarem de novo. A pessoa com sorte numa vida é porque ganhou, numa vida anterior, aquilo
que agora parece cair-lhe do céu sem grande esforço. Na verdade, trata-se duma recompensa merecida.
O indivíduo
cujo corpo está doente é porque quebrou as leis da natureza, nesta vida ou noutra, e agora está a pagar o respectivo preço. A pessoa
saudável sem dúvida prestou muita atenção, no passado, à perfeita formação dos órgãos.
Por que nascemos numa raça específica e não
noutra? Cada raça segue uma linha de evolução definida. Todos temos determinadas lições a aprender e os Egos que habitam os corpos
das várias raças fazem-no para obter o crescimento anímico que só pode ser atingido mediante determinadas condições proporcionadas
pela raça respectiva. Devemos portanto envidar os melhores esforços para aproveitarmos as condições do nosso nascimento e considerarmos
cada situação como um privilégio que nos é concedido para o avanço espiritual. Quando falhamos na melhor utilização das nossas encarnações,
damos um passo atrás no nosso desenvolvimento evolucionário e aumentamos o tempo necessário para nos libertarmos do ciclo dos renascimentos.
Por conseguinte, o renascimento explica inteligentemente todas as desigualdades da vida. As condições com que nos defrontamos são
os resultados complexos de todos os nossos esforços no passado, ou da falta deles. Cada homem ou cada mulher é a soma exacta das suas
actividades passadas, e não uma vítima passiva dum Deus caprichoso, ou das perversas maquinações duma divindade má. Só a nós próprios
devemos culpar se fizemos uma embrulhada das nossas vidas. Se não gostamos da vida que temos, devemos começar a preparar um ambiente
melhor para as vidas futuras, e se estivermos realmente despertos, por muito desesperada que seja a nossa situação, é bastante possível
que consigamos melhorar o que nos rodeia na presente encarnação.
Hoje em dia uma pessoa inteligente
não se contenta com trivialidades na procura da verdade em relação à vida. Assim, pedimos a cada leitor que porventura ande em busca
duma solução para os muitos problemas que a vida lhe apresenta, que aplique esta palavra-chave, renascimento, e experimente por si
mesmo a sua verdadeira eficácia.