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Luz Mística
Cartas aos Estudantes por Augusta Fosse Heindel : Fevereiro de 1941
Queridos Amigos:
Na nossa observação a olho nu, da vida e das suas várias expressões, meditamos sobre o pensamento de Deus, revelado em tudo quanto observamos, e então começamos a analisar tanto a beleza, como as coisas feias. Notamos que cada coisa que cresce na natureza, aparentemente, tem a sua origem, a sua vida, numa uma raiz na terra; toda a espécie de vegetação, tanto a pequena flor na borda do caminho, como o avultado sobreiro, cada um tem de iniciar a vida extraindo algo da terra por meio de uma pequena raiz. O germe da vida de cada majestoso sobreiro está escondido dentro de uma pequena bolota que tem que se depositar na terra, onde passa por um estado que o homem geralmente considera imundo, horrível e repulsivo; quer dizer, a bolota primeiro tem de passar pelo processo de apodrecimento e desintegração, antes que o pequeno germe vital da árvore, o embrião estenda a sua primeira radícula. Primeiro a raiz tem de crescer para baixo, antes que o germe vital envie um talo delgado para a luz. O Sol não brilha dentro dessa sepultura da bolota, mas o calor dos seus raios vivificantes aqueceram a terra de tal modo, que o impulso da semente a dirige para cima, e desta pequena semente putrefacta vem o poderoso sobreiro.
Também entre os homens, encontramos muitas vezes, indivíduos com os seus filhos abandonados e esquecidos nas vizinhanças das grandes cidades, vivendo nas suas casas insalubres, mal compartimentadas, e com falta de luz. Também ali no meio daquelas crianças encontramos as piores condições, e sem dúvida, quantos desses pequenos desamparados abriram caminho para posições mais elevadas; alguns até deixaram a sua memória entre os grandes do mundo.
Como a força dadora de vida do Criador penetra na tenebrosa terra para dar calor e vida à pequena bolota que produz o grande sobreiro, também a vida do Criador penetra na parte mais obstruída de uma grande cidade e desperta na criança desamparada o germe interior. Esta luz e vida formam a força motriz que se está sempre a expressar sob a forma de energia no homem, despertando nele um desejo de realização e de se elevar, saindo do seu ambiente. Mas com demasiada frequência esta energia emprega-se para adquirir riquezas para as desperdiçar.
O homem no seu estado de obscuridade, na sua ignorância do objectivo da vida, inclina-se desgraçadamente a desperdiçar o seu tempo e energia em coisas materiais, inconsciente do grande prémio que espera cada um dos filhos de Deus que se dirija à aquisição de conhecimento espiritual. Se a bolota tivesse posto a sua energia na primeira radícula que penetrou para baixo, para a suster na terra, nunca se tinha desenvolvido numa árvore majestosa. Passa-se o mesmo com o homem; quando responde àquele homem superior dentro de si, e se eleva para as alturas, então o Deus interior trar-lhe-á sabedoria, riquezas, e honra, como fez com o Rei Salomão segundo a narração no Capítulo 3 do livro primeiro de Reis:
“O Senhor apareceu a Salomão em sonhos, em Gabaon durante a noite, e disse-lhe: Pede-me o que queres que te dê… Sois vós, ó Senhor meu Deus, que me fizestes reinar em lugar de David, meu pai. Mas eu não passo de um jovem e não sei como me conduzir. E o vosso servo encontra-se no meio de vosso povo escolhido, um povo imenso, tão numeroso que não se pode contar, nem calcular. Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal… O Senhor agradou-se dessa oração, e disse a Salomão: Porque me fizeste esse pedido, e não pediste nem longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sim inteligência para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo: dou-te um coração tão sábio e inteligente… Dou-te, além disso, o que não me pediste: riquezas e glória”.
Foi assim que Salomão agradou a Deus e chegou a ser o maior dos reis. Esta lição da história foi transmitida para que o homem a aproveite nos seus esforços para obter o êxito. Se escolhesse a vida de serviço desinteressado, as riquezas espirituais, uma boa saúde, e a felicidade serão o prémio. O destino do homem é de aspirar, procurando sempre tornar-se semelhante a Deus, porque “N’Ele está a vida e a vida é a luz dos homens”.
Seus, em serviço da humanidade,
The Rosicrucian Fellowship, Fevereiro de 1941
Mrs. Max Heindel
(cartas aos estudantes)
Centro Rosacruz Max Heindel
Junho 1942