Queridos
Amigos:
Na
carta deste mês vamos discutir alguns dos estorvos que o homem encontra, que o
impedem, não apenas nos seus esforços mentais e físicos, mas também no plano
espiritual.
O
maior obstáculo que a maioria dos estudantes encontra é o facto de pensarem
que os seus parentes os embaraçam e impedem o seu progresso espiritual. É raro
passar um dia sem que um estudante ou probacionista nos escreva dizendo que o
seu esposo, esposa, filho ou mãe ou algum outro parente se opõe à sua aceitação
dos Ensinamentos Rosacruzes e à sua filiação na Sede Central, e nos pede
conselhos para vencer estas condições.
Na
realidade não há nada que nos possa deter nos nossos esforços espirituais;
nada nos pode roubar este privilégio se nos consciencializarmos que o
crescimento espiritual é interior, que o que é de Deus é interno. Ainda que
nos molestem e gozem connosco, ainda que o trabalho físico nos negue as
oportunidades de concentração, ou o cuidado dos filhos interrompa as nossas
meditações – todas estas coisas são de fora, e se o espírito trabalha
verdadeiramente com boa fé, se o estudante está realmente pronto para
progredir, nenhuma coisa exterior o pode deter. Pode perguntar-se: “Como é
possível o desenvolvimento sem ajuda exterior? Como podemos crescer
espiritualmente quando todos os que nos rodeiam interrompem a nossa paz e nos
tiram a liberdade para fazermos os nossos exercícios?”
Como
temos dito, todo o desenvolvimento espiritual vem de dentro e nenhum estorvo
exterior pode parar a verdadeira paz e determinação da alma no seu
desenvolvimento interno. Porque é que a mãe que está a cuidar de uma grande
família se torna apaziguadora, terna e carinhosa com um rosto que os filhos
gostam de lembrar mesmo depois de crescidos? Esta mãe não teve tempo para
meditações. Os seus deveres para com os filhos e os seus esforços para
aligeirar um pouco a carga económica do marido tomaram todo o seu tempo, no
entanto, o sacrifício pela sua família desenvolveu-a espiritualmente e deu-lhe
uma coroa de glória.
A
que subscreve esta carta observou a vida de alguns membros que se depararam com
problemas que despedaçariam o espírito de muitos. Estes estudantes encararam
os seus pesares e as suas perdas com resistência e paciência e o seu
desenvolvimento espiritual na realidade ilumina a sua face, ainda que alguns não
tenham tido nem um momento para meditação tranquila que frequentemente é o
que se considera para o conseguir. É verdade – nós contribuímos para o
nosso desenvolvimento espiritual se nos sentarmos um certo tempo em quieta
meditação, e ajudamo-nos bastante com os exercícios de retrospecção. Mas se
consideramos estas coisas superiores e de necessidade absoluta, e não fizermos
esforços para viver a vida de auxílio e de consagração aos nossos deveres e
às nossas responsabilidades, então não crescemos espiritualmente como cremos
que devemos. Não crescemos internamente, não obtemos o progresso espiritual
que outros conseguem sob as maiores desvantagens.
O
que o estudante deve considerar e meditar é como deve enfrentar as provas diárias.
São pacientes e bondosos ou carrancudos e maus com aqueles que mesmo sem intenção
intervêm no nosso destino? Se não são bons e pacientes, então estão a
esquecer que todos os que nos rodeiam estão-nos associados por alguma dívida
do destino que contraímos em vidas passadas e que temos que liquidar antes que
estas portas se fechem. Enfrentemos, pois, as nossas provas com amor e paciência.
Tranquilizemo-nos interiormente, e esta paz interior influirá nas coisas de
fora. Semeemos sementes que tornem o nosso futuro cheio de paz e desenvolvimento
espiritual, e mantenhamos o pensamento de que nada nos pode roubar a nossa Herança
Divina.
Seus,
em serviço da humanidade, Outubro de 1939
The
Rosicrucian Fellowship,
Mrs.
Max Heindel